Se você reclama e acha difícil aprender todas as normas e regras da língua portuguesa, imagine então a situação dos japoneses, que têm de aprender a falar a língua e escrevê-la de três maneiras diferentes. Isso porque há três alfabetos em japonês: Hiragana, Katakana e o Kanji. Todos os três são utilizados para se comunicar no Japão e cada um possui certas peculiaridades.

Também são utilizados os algarismos arábicos e o alfabeto latino, em um processo denominado romanização, porém não tão frequente como as formas anteriores. Esta representação do alfabeto japonês recebe o nome de Romaji e é utilizada principalmente por estrangeiros que desconhecem as três formas tradicionais, ou pelos próprios japoneses para textos em computadores.

Hiragana


O alfabeto possui 48 caracteres que representam, cada um, uma sílaba. Para escrever uma palavra trissílaba, por exemplo, devemos utilizar três caracteres. O Hiragana é usual, principalmente, em palavras que não possuem representação em ideogramas Kanji ou até mesmo nas que possuem uma leitura demasiadamente difícil. Também é utilizado para representar as flexões em verbos e adjetivos e comumente usado para onomatopeias.

Hiragana alfabeto japones

Katakana


Muito semelhante ao Hiragana, o Katakana também possui 48 caracteres que representam sílabas. Em ambos os alfabetos, cada caractere representa um fonema (como ‘ka’, a junção do som de ‘k’ e a vogal ‘a’). A principal diferença entre eles é que o Katakana é comumente utilizado para escrever nomes de países, palavras estrangeiras ou de natureza científica além de nomes de produtos e onomatopeias. Também é utilizado para animais ou plantas as quais não existam representações comuns em Kanji e ainda pode dá ênfase ao texto como na escrita em itálico.

Katakana Alfabeto Japones

Kanji


O Kanji possui mais de 40 mil caracteres formando um alfabeto completamente diferente dos citados acima. Mais que um alfabeto, ele é um conjunto de símbolos que representam ideias, conceitos, e podem ter mais de um significado. Apesar dos inúmeros caracteres, é necessário saber 1.945 deles para ser considerado alfabetizado no Japão. Pode acontecer de um japonês adulto e alfabetizado se deparar com kanjis que não conheça ao longo de sua vida. Assim, um kanji, é um ideograma, uma imagem pictográfica do que se quer dizer. A partir de um simples traço específico pode-se decompor vários significados, o que torna o aprendizado mais simples.

Kanji exemplo alfabeto japones

A forma escrita do japonês pode ser representada utilizando apenas silabários hiragana e katana juntamente com o rōmaji e grande parte das palavras também possuem representações em kanji. O uso de uma forma ou outra segue conforme o estilo, convenção e legibilidade adotado. Quando o leitor encontra dificuldade no entendimento dos ideogramas kanji, o mesmo costuma utilizar o recurso denominado furigana.

Os alfabetos japoneses tiveram origem no chinês e, assim, foram adaptados em Katana, Hiragana e Kanji. Mesmo com as adaptações e a apropriações ainda há muita semelhança entre caracteres chineses e japoneses.

Curiosidades


No alfabeto japonês inexiste encontros de consoantes como ‘BR’ e ‘TR’, por exemplo. Por ser escrita (e falada) por silabicamente, esses encontros consonantais acabam sendo decompostos em sílabas com vogais. A palavra ‘Bra-sil’, em japonês, vira ‘Bu-ra-ji-ro’. Além da decomposição do ‘BR’, o ‘S’ com som de ‘Z’, no caso, é substituído pelo ‘J’.

Além de serem a maneira de se comunicar por escrito dos japoneses, os kanjis são como uma forma de arte no Japão. Sua escrita é delicada e exige até mesmo uma ordem correta para se desenhar. Tudo isso é mantido ainda hoje como forma de preservação de uma das culturas milenares mais apreciadas no mundo todo.